Dentre todos os elementos que compõem uma bolsa Hermès autêntica, a costura sellier é, ao mesmo tempo, a mais visível e a mais difícil de reproduzir com fidelidade. Artesãos treinados levam anos para dominar o ponto correto — o que significa que qualquer tentativa de replicação costuma revelar a falsidade de uma peça para olhos treinados.
A costura sellier é feita com duas agulhas e um único fio de linho encerado, trabalhado manualmente. O ângulo do ponto é preciso: cada linha de costura deve penetrar o couro em um ângulo de aproximadamente 45 graus, criando um padrão diagonal regular. A tensão do fio é constante, e os espaços entre os pontos são uniformes — geralmente entre 4 e 5 pontos por centímetro.
Em falsificações, os erros mais comuns são a irregularidade nos espaços entre os pontos, o ângulo incorreto do fio e a tensão inconsistente. O fio tende a aparecer mais brilhante (sintético em vez de linho), e os pontos frequentemente se apresentam paralelos à costura em vez de angulados. Em peças muito bem falsificadas, a diferença pode ser visível apenas com lupa.
O segundo ponto de verificação é o couro. Uma Hermès autêntica usa apenas peles de primeira escolha, sem marcas, imperfeições ou variações de textura dentro de um mesmo painel. O couro de uma falsificação, mesmo em alta resolução fotográfica, raramente apresenta a consistência que a seleção artesanal da Hermès produz ao longo de décadas.